Sobreiro Quercus Suber





Embora este Sobreiro ainda esteja na fase inicial de treino decidi mostrá-lo como ilustração de um estilo raramente visto em Bonsai mas muito comum nas formas naturais dos Sobreiros na Natureza.

Nos meus estudos com os Mestres Terakawa e Liporace aprendi e aprendo a formação clássica de Bonsai, mas para mim próprio é importante experimentar e embora conhecendo as regras, explorar novas formas fugindo um pouco á rigidez das normas.

A árvore é um Yamadori recolhido por mim faz 6 anos.
Os primeiros 3 anos após a recolha não lhe toquei só me limitando a regar e adubar.
A árvore na natureza tinha um ataque severo de cochonilas e um outro problema que nunca tinha visto antes num Sobreiro (nem sequer sei exactamente do que se trata) nalguns ramos havia uma espécie de verrugas que produziam uns inchaços muito pouco estéticos.
Tratei com insecticidas sistémicos e cortei os ramos atingidos e esse problema nunca mais voltou.
O exemplar foi recolhido por já possuir uma casca madura e bastante bonita.

Não tocar na árvore durante esses 3 anos deu a sua recompensa pois o exemplar recuperou e fortaleceu.
Procurei nos meus arquivos (maneira subtil de nomear a confusão de fotos e chips espalhados por dois armários) mas infelizmente não consegui encontrar nenhuma foto nem da árvore após a recuperação nem antes da primeira formação (tenho períodos que me esqueço totalmente de tirar fotos) de qualquer maneira o tronco principal prolongava-se acima do sitio onde crescem os vários ramos mas sem um movimento muito expressivo e sem muita conicidade.

Esse foi o motivo pelo qual após muito ponderar (3 anos) decidi compactar a árvore o mais possivel.
Havia duas possibilidades de formar esta árvore.
Ou fazer dela um Moyogi (estilo informal direito)o que iria resultar numa árvore bastante maior (e aí a árvore iria perder em força visual) ou formá-la como o que eu classifico como um Hokidachi (estilo vassoura)informal (se o Gustavo alguma vez ler este texto certamente irá tentar encontrar uma classificação que se ajuste, não é Gustavo!).

O problema para efectuar esta última opção é que embora existissem vários ramos partindo do mesmo sítio não havia nenhum para a traseira da árvore.
Felizmente existia um pequeno brote a crescer no sitio requerido.
Nos próximos anos esse brote ao crescer livremente e engrossar irá formar o tão necessário ramo traseiro.

O primeiro trabalho feito nesta árvore á 3 anos foi apenas o rascunho grosseiro da futura forma.
Um ano mais tarde como a árvore estava a responder bem á formação decidi envasá-la neste vaso Tokoname.


Este ano deixei a árvore crescer livremente sem podar pois alguns ramos ainda vão precisar de alguns anos de crescimento livre até estarem mais ou menos equalizados com os mais grossos.

Agora a árvore estava pronta para o terceiro trabalho de refinamento.
Com cada trabalho que faço nas árvores tento sempre corrigir alguns dos problemas estéticos de cada uma.
Desta vez consegui também melhorar vários erros (ramos sem conicidade que tinham sido colocados em posição para preencherem temporáriamente a silhueta da copa foram retirados e substítuidos por outros com mais ramificação, conicidade, e movimento) e o trabalho de aramamento já melhorou e refinou a ramificação.

O que vai agora levar mais tempo é deixar engrossar alguns ramos que não têm ainda suficiente substância para serem ramos principais e o melhoramento e refinamento das ramificações já existentes.

A copa da árvore já deixa mais ou menos ver a minha ideia para o futuro mas até este exemplar estar + ou - "terminado" ainda vai demorar entre os 5 a 7 anos.
A primeira e última foto mostram a frente da árvore antes e depois do refinamento.

Altura da árvore sem vaso 64cm, diametro do tronco na base 13cm.

Entretanto vou sonhando com o meu Sobreiro na paisagem Alentejana...

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