quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

REGRAS DE FUNCIONAMENTO DA ESCOLA

REGRAS DE FUNCIONAMENTO DA ESCOLA DO JARDIM DE BONSAI





Para ajudar a que a boa atmosfera no funcionamento dos cursos seja preservada pedimos aos participantes da Escola de seguir este conjunto de regras básicas.
1.

Pedimos a todos para respeitarem os horários do curso das 15.00 ás 19.00 horas ou das 09.00 ás 13.00 horas.

Possíveis atrasos devem ser comunicados previamente.

Antes de cada lição começar, os portões do Jardim estão abertos meia hora antes do começo da lição, para podermos responder eventuais perguntas ou ajudar na procura de material no viveiro.


2.

Só as pessoas inscritas serão admitidas nas aulas, não sendo permitida a presença de acompanhantes


3.

No final de cada lição pedimos aos alunos para antes de saírem deixarem o Estúdio como o encontraram = Limpo.

Para o efeito encontram-se vassouras, pás e baldes á vossa disposição.


4.

Todos os alunos são responsáveis por trazer o próprio material a ser trabalhado assim como as ferramentas necessárias para efectuar os trabalhos necessários.


Os alunos que não tenham as ferramentas básicas assim como outro material necessário como arame, pasta seladora etc. devem adquiri-lo pois essa é a condição básica para participar nestes cursos.


Não é possível um desenvolvimento nesta Arte sem haver um empenho na aprendizagem das técnicas requeridas e um investimento na escolha de material com potencial a ser utilizado nas lições.


Por outras palavras: se o material a ser trabalhado nas lições não tiver qualidade os resultados nunca irão ser satisfatórios.


Reservamo-nos o direito de não trabalhar material que seja trazido para os cursos se este não tiver o mínimo das condições requeridas: material com algum potencial, material livre de doenças e pragas, material que não tenha sido envasado recentemente (mínimo 6 meses), no caso de Yamadori as árvores terão de no mínimo ter sido recolhidas á um ano (conforme a espécie, nalguns casos 2 ou 3 anos) apresentarem crescimento saudável e estarem convenientemente estabilizadas nos vasos (presas fortemente aos vasos com fio de alumínio ou cobre).

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Escola Jardim de Bonsai pág. 1 de 2

5.

Trabalhos que para a sua concretização necessitem da utilização de máquinas (Dremel, Makita, etc.) e ou pela sua natureza possam causar poeira, sujidade devem ser efectuados no exterior do Estúdio.


Estes trabalhos devem ser previamente acordados assim como é esperado do aluno que traga as ferramentas e ou material necessário.


Trabalhos que tenham de ser feitos com formões, goivas ou outras ferramentas potencialmente perigosas devem ser feitos em princípio sob acompanhamento.


Tanto quanto possível estas tarefas devem ser incorporadas na aula como parte didáctica da mesma.


6.

Não reservamos plantas ou material.

A totalidade do valor deve ser paga no acto da compra de artigos ou plantas.


7.

Aos alunos que por qualquer motivo deixem plantas no viveiro será cobrado o valor de 10 euros por mês para os cuidados requeridos, assim como é declinada qualquer responsabilidade do viveiro no evento do furto ou dano do referido material.


8.

Só é permitido o alojamento dos participantes dos cursos de fim-de-semana, não sendo aceites acompanhantes.


Antes da partida os participantes devem deixar os apartamentos arrumados.


Eventuais danos a mobiliário e material presente nos apartamentos serão cobrados á pessoa ou pessoas responsáveis, assim como limpezas ou reparações extra que tenham de ser efectuadas devido ao não cumprimento das regras.

























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Escola Jardim de Bonsai pág. 2 de 2

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

O eterno aprendiz

Mais uma vez comecei a contagem decrescente dos dias até finalmente poder partir mais uma vez para Itália.
Para mim é uma óptima maneira de ao criar distância poder analiticamente beber a minha vivência do Bonsai em Portugal.

Mas é principalmente a possibilidade de estar junto com pessoas que escolhem acima de todos os problemas do dia a dia viverem a sua paixão por estas árvores e juntos partilharmos em positividade uma experiência que nos enriquece e nos une.

Estar com o Mestre é também e principalmente uma confrontação connosco mesmo.
Estar aberto á sua experiência enorme com plantas e pessoas.
Têr a humildade de aprender tudo de novo e saber que todos os dias vou reaprender tudo de novo.

A palavra já o diz, Mestre! Por acordo mutûo colocamo-nos numa situação onde não somos nós a ter o controle e onde voltamos um pouco a sêr criança aprendendo a confiar.
O mais inspirador é presenciar esses momentos onde o génio e creatividade do Mestre aparecem na sua simplicidade e pureza.

Quando voltar a Portugal já sei que vai levar algum tempo para assimilar todas as experiências vividas e interiorizar as coisas aprendidas,incorporando-as na minha vida, á minha maneira.
O maior desafio é utilizar esta inspiração e aplicá-la com a minha própria visão e creatividade.

Mas sempre impaciente pela próxima vez que vou passear no bosque das árvores miniatura.

Quem sabe as árvores que vou encontrar desta vez e os novos amigos que vou conhecer?!

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Yamadori





MÉTODOS ONORTODOXOS PARA A SOBREVIVÊNCIA DE MATERIAL RECOLHIDO


Acerca de Yamadori já muito foi dito!
Penso que certamente não é uma técnica para principiantes e penso também que só se deve tentar acompanhado por alguém que tenha mais experiência ou no mínimo depois de recolhermos o mais possível informação acerca desta matéria.
E acima de tudo fazendo-o com respeito pelo material e dando-lhe todas as possibilidades de sobrevivência depois da recolha.

O meu trabalho não é a recolha de Yamadori mas sim o tratamento e formação de árvores até se tornarem Bonsai.
Contudo fiz e farei Yamadori numa base esporádica se o material que encontro tiver bom potencial.

Infelizmente algum do material por mim recolhido no passado não sobreviveu por falta de conhecimentos e ou condições.

O clima do Algarve e as condições de terreno também são totalmente distintas das que estava habituado mais para o Norte da Europa e por isso tive que reaprender tudo o que sabia.

Este texto não é uma tentativa de explicar como fazer Yamadori ou aprofundar o tema, nem tão pouco um incentivo a que outras pessoas o façam.
ACIMA DE TUDO ESTE MÉTODO NÃO É MILAGROSO OU UM SUBSTITUTO PARA OS CUIDADOS BÁSICOS DE TRATAMENTO DE MATERIAL YAMADORI.

Quero sómente partilhar uma técnica que talvez possa ajudar a sobrevivência de alguns exemplares recolhidos.
Técnica esta que descobri por acaso.


Por mero acaso e infelicidade faz alguns anos numa recolha que fiz, ao mexer o tronco da planta que estávamos a escavar para sentir a sua resistência e poder determinar o sitio onde estavam as raízes principais ouvi um estalo da madeira que me congelou o sangue nas veias.
O pesadelo de qualquer pessoa que lide com Bonsai tinha com este estalo acontecido.
O tronco da árvore tinha sem uma aparente razão lógica, pura e simplesmente partido logo acima do existente nebari enterrado.
Fiquei na minha mão com um tronco que acabava num couto partido sem uma única raiz.

A minha primeira reacção foi envolver o couto com um pano molhado como faria também com as raízes (se a operação tivesse corrido normalmente) e levar a árvore para casa.

Chegado a casa deixei o tronco dentro de um recipiente com água da chuva toda a noite até ao dia seguinte (como também faço normalmente com plantas que recolho).
Isso deu-me tempo para pensar na melhor estratégia para tentar salvar a árvore.

No dia seguinte pus em prática um simples plano baseado na minha experiência.
Proteger demasiado as plantas recolhidas pode ser tão nefasto como dar cuidados a menos.

Uma estufa pode ser uma bênção na ajuda da recuperação de Yamadori mas também pode ser a pior das coisas se essa estufa não for bem arejada.

Mas como este tronco não tinha uma única raiz colocá-lo na adaptação a estufa que fiz de um telheiro pareceu-me essencial na sobrevivência deste exemplar, depois de envolver o couto partido em musgo Sphagnum atado ao couto com ráfia.
Plantei o tronco em Akadama e para dar a maior possibilidade de sobrevivência á árvore envolvi todo o tronco logo a partir da superfície do solo com gaze (rolos de gaze utilizada normalmente para proteger feridas) só deixando os últimos 10 cm do topo descoberto para eventual novo crescimento poder eclodir sem problemas.

Pulverizando duas vezes ao dia a gaze e só regando o solo quando secava um pouco esperei.

Na minha opinião o ciclo diário de manter a gaze húmida deixando-a secar ligeiramente antes de voltar a humedecer não só mantém o tronco hidratado assim como penso provoca um ligeiro movimento ascendente/descendente da seiva provocando na minha opinião uma espécie de circulação artificial da seiva (ou pelo menos um começo rudimentar da mesma) isto em conjunto com o Sphagnum no touco (que mantém uma humidade e temperatura constante) foram dois factores determinantes no sucesso desta história.

Cerca de um mês mais tarde a planta começou a brotar na parte sem gaze do topo.
Continuei o mesmo tratamento de pulverização incluindo agora também as folhas até ao amadurecimento das mesmas.

Só parei a pulverização nesta altura e quando o fiz estava ainda incerto da reacção da planta.

Mas muito rapidamente percebi que a planta decerto tinha feito raízes novas suficientes para sobreviver por si própria pois os brotes estavam viçosos e com força.

Depois desta experiência com sucesso decidi que exemplares escavados com poucas raízes ou de muito boa qualidade, e para não haver o perigo de perder essas árvores são sempre embrulhados em gaze.
Quero salientar que só tenho experiência utilizando este método com folhosas ou árvores de folha caduca,nunca o utilizei com coníferas.
Prefiro gastar alguns euros comprando gaze do que perder uma árvore com potencial.

As fotos são de um Myrtus (escavado num sitio muito difícil e virtualmente sem raízes) que pelas suas grandes dimensões (60 por 70 cm) e complexidade de linha de tronco e ramificação corria o risco de desidratar mas que como podem ver já começa a brotar, e de um Tamarix de muito potencial nos quais utilizei a técnica em questão.

Para finalizar, depois das plantas estabilizarem e quando tenho a certeza que podem sobreviver pelos seus próprios meios, paro as pulverizações dos troncos com gazes retirando estas com cuidado depois de as deixar secar no tronco por alguns dias monitorizando ao mesmo tempo a condição da árvore.

E por favor não vejam a publicação deste texto como a legitimação de uma corrida desenfreada aos Yamadori pois esta não é de todo a minha intenção.
A qualidade da árvore e o seu potencial como futuro Bonsai são as únicas bases para a recolha ou não de um determinado exemplar.
Depois vem a existência das melhores condições possiveis para o tratamento da planta após a recolha como segunda necessidade.

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Jardim Janeiro 2010













Um dos poucos dias em que não foi necessário fazer nenhum trabalho no Jardim, nem sequer regar!
Algumas fotos de árvores algumas das quais nunca publiquei aqui no blog ou no site.
A qualidade das imagens não é fantástica mas clicando nas fotos para as aumentar pode-se ver bem a estrutura dos exemplares (alguns deles no começo das suas formações).
Esta é a minha época favorita do ano aqui no Jardim quando as caducas perderam as folhas e mostram as ramificações e textura das cascas.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Quercus Suber




Este foi o primeiro Sobreiro da minha coleção.
Um Yamadori Algarvio.
Devido á característica do tronco bifurcado decidi formar esta planta num estilo mais naturalista seguindo as formas naturais do Sobreiro pois não me pareceu boa ideia forçá-la num estilo mais rígido.
No Verão passado abri um pouco a copa com poda pois estava a ficar muito compacta.
Os espaços abertos aqui e ali ajudam a silhueta a não ficar demasiado pesada.
Nesta Primavera a planta terá que sêr envasada mas o vaso será o mesmo pois gosto do contraste da casca com este bonito vidrado Tokoname.
A profundidade do vaso é perfeita nos longos e quentes Verões Algarvios pois o Sobreiro em vaso detesta muita secura.
Na minha opinião a imagem criada por esta árvore é pacifica e relaxada.

Altura 56cm, tronco na base 10cm.

Celtis Sinensis




Este Celtis faz parte da minha coleção há 4 anos.
Quando o comprei tinha vários problemas o maior deles sendo o facto de não têr ramos traseiros o que diminuia muito o valor estético da árvore.

A ramificação era muito grosseira e o Nebari nunca tinha sido minimamente estruturado.

A frente também não era a actual.

Infelizmente não tenho fotos antes do inicio do trabalho.
Foi plantado neste vaso Houtoku over-sized para crescer rápidamente e criar as tão necessárias ramificações na traseira da árvore a partir de novos brotes no tronco.
O vaso final será um Tokoname bastante mais pequeno e em harmonia com a planta, que chegará dentro de algumas semanas.

O João Pires um amigo ajudou-me no Verão passado a fazer uma poda bastante drástica.
Não tivemos tempo para acabar o trabalho nessa altura,por isso esperei até agora para acabar a poda.

Nas árvores de folha caduca é crucial para o seu bom desenvolvimento uma poda de restruturação drástica depois de alguns anos de crescimento (variando o espaço de tempo consoante a espécie) isto independentemente da poda Outonal cada ano.

No próximo envase o Nebari será outra vez trabalhado.
Daqui a mais cinco anos a silhueta estará bem definida e a ramificação será elegante e delicada.

Só para terem uma ideia do tamanho deste bicho pedimos ao jardineiro para se colocar ao lado da árvore para vocês poderem comparar.

Altura 84cm, grossura do tronco na base 19cm.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

Pinus Halepensis Trabalho de preparação










A primeira vez que fui trabalhar em Itália com o Mestre Liporace fiquei subjugado com a impressão que o conjunto do seu trabalho, o seu viveiro, as árvores, e o seu acolhimento me deram.

Das impressões mais fortes que tive foi quando ao vêr o material numa das suas estufas me deparei com este Pinus Halepensis.
Embora ouvessem ainda mais alguns á sua volta e a qualidade geral do material em geral fosse pura e simplesmente de primeira, este Pinus imediatamente despertou a minha paixão.

Quando demonstrei o meu interesse pelo Pinus notei contudo uma grande relutância do Mestre em dar resposta.
Só após alguma insistência da minha parte em adquirir o Pinus, Liporace acedeu,explicando-me com pesar que ele próprio estava a pensar trabalhá-lo.

Mais tarde percebi que se não tivesse mostrado determinação em têr aquele Pinus o Mestre Liporace provávelmente nunca teria concordado.

De volta ao Pinus: Yamadori Italiano com uma casca estupenda (muitos Pinus Halepensis não têm a casca formada a toda a volta do tronco com a mesma textura o que reduz o valor da árvore)e um movimento fantástico logo a partir da base.
A árvore só possui dois ramos vivos no topo.

A primeira ideia de desenho foi utilizar um destes ramos para com dobragens formar uma árvore compacta (o que eu e o meu colega o Matthijs chamamos de Spaghetti Bonsai).

Com o passar do tempo contudo e conhecendo melhor a árvore desde que aqui se encontra, e em conversa com Liporace no ano passado, chegámos há conclusão que a melhor maneira de compactar ainda mais este Pinus, e tentar fazer dele uma árvore tècnicamente perfeita, é escolhendo um caminho mais longo utilizar a técnica dos enxertos para conseguir esse intuito.

Foi isso que fiz á alguns dias e apresento aqui uma pequena reportagem disso.

Quando digo que escolhi um caminho mais longo para a formação desta árvore refiro-me ao facto de que se tivesse utilizado a técnica das dobragens, seria possivel de dar uma silhueta compacta e uma aparência acabada em muito pouco tempo a este exemplar.

Ao escolher pelos enxertos será um processo que requerirá entre 5 a 10 anos para construir a copa mas como já disse técnicamente a árvore será mais perfeita e também mais fácil de mantêr compacta ao longo dos anos.

Portanto aqui fica a primeira fase do trabalho.
Se tudo correr bem poderei dentro de um ou dois anos separar as partes enxertadas.
Fiz 4 enxertos por aproximação nos sitíos onde pretendo os ramos prncipais e o futuro ápice.

Para as pessoas que estejam preocupadas com o tamanho das agulhas deste exemplar (por vezes toma proporções de quase histeria a maneira como muitas pessoas falam do tamanho das agulhas em exemplares que nem sequer têm a forma básica e que portanto só necessitam crescer e fortalecer) posso tranquilizá-las pois quando a construção da copa começar, irei aplicar técnicas para a diminuição do tamanho das mesmas,mas por agora isso seria contraproductivo pois iria stressar a árvore que de momento só necessita crescer.

Ao ir progredindo neste trabalho farei novas actualizações.

Entretanto este Baby Halepo irá gozar do Sol Algarvio (quando este voltar!).