domingo, 25 de Outubro de 2009

Taxus Baccata Terceiro aramamento









O Taxus no clima do Algarve é uma planta ideal pois desenvolve-se mais rápidamente do que em climas mais frios!
A única coisa de que ele não gosta é de demasiado sol directo durante os longos e quentes Verões Algarvios!

Este exemplar comprei como pré-Bonsai do Mestre Terakawa para o trabalhar num work-shop em Portugal com o Mestre Liporace.

Nessa altura a planta encontrava-se plantada num grande vaso de plástico com uma mistura drenante no exterior da bola de raízes mas ainda com terra de origem (argila tipo pastilha elástica como eu lhe chamo)em toda a parte perto da base.

Depois da formação com o Mestre Liporace a planta ainda ficou no mesmo vaso por mais dois anos para permitir um bom desenvolvimento da ramificação fina pois depois do primeiro trabalho só ficaram os ramos principais com alguns muito poucos ramos secundários.

No segundo aramamento já pude reduzir ou tirar alguns ramos secundários que não tinham conicidade e melhorar a silhueta da árvore, contudo sem ainda ser possivel detalhar a forma de cada ramo e o todo.

Nesta passada Primavera tinha finalmente chegado a altura de envasar a árvore num vaso Tokoname.
Lavei toda a terra de origem das raízes e podei fortemente a maioria das raízes grossas para a árvore caber no novo vaso.
Com este trabalho ouve uma melhoria significativa do Nebari mas ainda á muito trabalho e a definição de pequenos detalhes a fazer no futuro.

Depois de deixar a planta crescer livremente durante toda a estação de crescimento tinha agora chegado a altura de fazer o terceiro trabalho de refinamento.

Desta vez o meu amigo e aluno Rodrigo Sousa foi o convidado para fazer o trabalho.

O Rodrigo começou á pouco tempo "a sério" com os Bonsai mas posso dizer que é uma explosão de creatividade concentrada.

E embora tenha sido a primeira vez que aramou com fio de cobre o resultado final é digno de aplauso!

Trabalhámos juntos na limpeza,poda e aramamento da árvore durante um dia inteiro.
Criámos também um novo pequeno Shari na base da frente do Taxus para aligeirar a aparência desta.
No futuro quando a madeira deste Shari secar e gretar será pintado com liquido para Jin assim como os outros Shari que se encontram no tronco o que aumentará o interesse visual do tronco proporcionando o bonito contraste entre a madeira morta a casca e a folhagem.

Rodrigo! A tua sede de aprender e a tua capacidade de te focares no que estás a fazer durante horas sem esmorecer ou "enrolar" vão-te levar longe nos Bonsai!

Olha!Depois de trabalhares num Taxus e antes de comer lembra-te de lavar bem as mãos!
Se até as vacas caem mortas depois de comerem umas folhinas de Taxus o que é que acontecerá contigo!!!??? LoooL

Com este trabalho a árvore avançou um grande passo na sua formação embora ainda vá levar cerca de três anos a formar a necessária compaticidade de ramificações.

Poda dos novos brotes quando do começo do seu amadurecimento e aramamento dos ramos mais finos serão as tarefas a realizar nos próximos anos até atingir a imagem pretendida

Rodrigo obrigado!
E até breve!

sábado, 19 de Setembro de 2009

Sobreiro Quercus Suber





Embora este Sobreiro ainda esteja na fase inicial de treino decidi mostrá-lo como ilustração de um estilo raramente visto em Bonsai mas muito comum nas formas naturais dos Sobreiros na Natureza.

Nos meus estudos com os Mestres Terakawa e Liporace aprendi e aprendo a formação clássica de Bonsai, mas para mim próprio é importante experimentar e embora conhecendo as regras, explorar novas formas fugindo um pouco á rigidez das normas.

A árvore é um Yamadori recolhido por mim faz 6 anos.
Os primeiros 3 anos após a recolha não lhe toquei só me limitando a regar e adubar.
A árvore na natureza tinha um ataque severo de cochonilas e um outro problema que nunca tinha visto antes num Sobreiro (nem sequer sei exactamente do que se trata) nalguns ramos havia uma espécie de verrugas que produziam uns inchaços muito pouco estéticos.
Tratei com insecticidas sistémicos e cortei os ramos atingidos e esse problema nunca mais voltou.
O exemplar foi recolhido por já possuir uma casca madura e bastante bonita.

Não tocar na árvore durante esses 3 anos deu a sua recompensa pois o exemplar recuperou e fortaleceu.
Procurei nos meus arquivos (maneira subtil de nomear a confusão de fotos e chips espalhados por dois armários) mas infelizmente não consegui encontrar nenhuma foto nem da árvore após a recuperação nem antes da primeira formação (tenho períodos que me esqueço totalmente de tirar fotos) de qualquer maneira o tronco principal prolongava-se acima do sitio onde crescem os vários ramos mas sem um movimento muito expressivo e sem muita conicidade.

Esse foi o motivo pelo qual após muito ponderar (3 anos) decidi compactar a árvore o mais possivel.
Havia duas possibilidades de formar esta árvore.
Ou fazer dela um Moyogi (estilo informal direito)o que iria resultar numa árvore bastante maior (e aí a árvore iria perder em força visual) ou formá-la como o que eu classifico como um Hokidachi (estilo vassoura)informal (se o Gustavo alguma vez ler este texto certamente irá tentar encontrar uma classificação que se ajuste, não é Gustavo!).

O problema para efectuar esta última opção é que embora existissem vários ramos partindo do mesmo sítio não havia nenhum para a traseira da árvore.
Felizmente existia um pequeno brote a crescer no sitio requerido.
Nos próximos anos esse brote ao crescer livremente e engrossar irá formar o tão necessário ramo traseiro.

O primeiro trabalho feito nesta árvore á 3 anos foi apenas o rascunho grosseiro da futura forma.
Um ano mais tarde como a árvore estava a responder bem á formação decidi envasá-la neste vaso Tokoname.


Este ano deixei a árvore crescer livremente sem podar pois alguns ramos ainda vão precisar de alguns anos de crescimento livre até estarem mais ou menos equalizados com os mais grossos.

Agora a árvore estava pronta para o terceiro trabalho de refinamento.
Com cada trabalho que faço nas árvores tento sempre corrigir alguns dos problemas estéticos de cada uma.
Desta vez consegui também melhorar vários erros (ramos sem conicidade que tinham sido colocados em posição para preencherem temporáriamente a silhueta da copa foram retirados e substítuidos por outros com mais ramificação, conicidade, e movimento) e o trabalho de aramamento já melhorou e refinou a ramificação.

O que vai agora levar mais tempo é deixar engrossar alguns ramos que não têm ainda suficiente substância para serem ramos principais e o melhoramento e refinamento das ramificações já existentes.

A copa da árvore já deixa mais ou menos ver a minha ideia para o futuro mas até este exemplar estar + ou - "terminado" ainda vai demorar entre os 5 a 7 anos.
A primeira e última foto mostram a frente da árvore antes e depois do refinamento.

Altura da árvore sem vaso 64cm, diametro do tronco na base 13cm.

Entretanto vou sonhando com o meu Sobreiro na paisagem Alentejana...

domingo, 6 de Setembro de 2009

Pinus Pinea (Pinheiro Manso) Fukinagashi








O Pinheiro Manso só muito raramente é utilizado como Bonsai.
A maior parte dos bonsaistas prefere não trabalhar com ele devido ao tamanho das agulhas, mas a verdade é que segundo a minha experiência é possivel reduzi-las com o tempo e rega controlada.

Este grupo de Pinus Pinea foi criado á cerca de 11 anos com pinheiros de viveiro.
E como se pode vêr pela primeira foto no início a casca de todos os exemplares era completamente lisa.

Faz 4 anos alguns dos pinheiros começaram a têr problemas com uma infeção de fungos o que levou mais tarde á perda de alguns dos ramos principais.

Felizmente o problema parece hoje resolvido mas isso obrigou-me a uma nova estilização da forma deste grupo.

No Verão passado fiz uma poda drástica e utilizando tensores restruturei a posição de algumas das árvores.
Uma coisa que me incomodava sobremaneira eram as dimensões que este grupo com o passar dos anos tinha adquirido.
Devido á perda de uma parte do ápice da árvore principal decidi mudar o equilibrio e direcção do grupo transformando-o num grupo de Pinus batido pelo vento Fukinagashi, evocativo de alguns Pinus Pinea que conheço no litoral do Barlavento Algarvio.

Mas este trabalho ainda não teria acontecido se o meu amigo João Pires não me tivesse vindo visitar mais uma vez para trabalharmos juntos.
De entre algumas possibilidades de árvores a trabalhar aqui no viveiro foi ele que escolheu este grupo (pois eu na verdade tinha perdido um pouco o interesse)devido á raridade da espécie como Bonsai e devido ás dimensões bastante intimidantes deste mesmo grupo.

Durante um dia e meio trabalhámos juntos,podámos,colocámos mais tensores,limpámos as agulhas velhas,aramámos.
Sempre debaixo do olho observador do João.
Quando o via a magicar (como eu digo quando noto que vai ter mais uma ideia para solucionar um determinado problema)já sabia que ia imcorporar mais um detalhe bem pensado no desenho deste grupo.

Quem é que não quer um amigo assim que de vez em quando nos vem ajudar a trabalhar uma árvore difícil!!?

Nos próximos anos a ramificação vai ter de ser bem trabalhada para ganhar outra vez compacticidade e o tamanho das agulhas será reduzido substancialmente (quando da infeção fungíca a minha única prioridade foi só de salvar as árvores e assim em alguns anos perdeu-se a densidade e aumentou enormemente o tamanho das agulhas) assim como a posição no vaso também terá de ser rectificada colocando o grupo no lado esquerdo do vaso.
Mas por agora deixo este grupo mostrar de que lado é que o vento começa a soprar...

Obrigado João

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Juniperus Julho 2009










Uma das coisas mais difíceis de fazer é dar a uma planta de viveiro uma aparência que esconda a sua origem.Mais ainda quando a planta provêm de viveiro para Jardinagem e não teve qualquer treino para se iniciar no mundo do Bonsai.

A primeira foto é testemunho disso.Quando comprei este Juniperus faz 12 anos o tronco e todos os ramos eram direitos e sem conicidade.
A minha primeira tentativa de desenho foi formá-lo como Han-Kengai (meia-cascata).
Só que as proporções folhagem, calibre do tronco estavam longe de ser harmoniosas.

Durante os anos a seguir á sua formação fui mudando, adaptando,podando sempre sem encontrar uma solução satisfatória.

Há dois anos decidi mudar totalmente a forma e proporções da árvore mantendo ainda o topo da meia cascata.
Infelizmente não tenho uma foto dessa fase intermédia.
Mas no ano passado decidi também fazer desse topo um Ten-Jin (Jin do topo)para diminuir mais uma vez a folhagem e dar uma aparência mais selvagem á árvore.

Nesta Primavera envasei a planta no vaso actual substancialmente mais pequeno que um outro vaso de cascata onde a planta tinha sido mantida durante os ultimos anos.
Como a árvore tinha crescido e recuperado tão rápidamente do envase pensei chegada a altura de ser trabalhada.

Na semana passada um amigo meu o João Pires do Clube de Sintra (novato de um ano nos Bonsai mas uma pessoa com um grande talento) veio aqui ao viveiro trabalhar algumas das suas árvores e ajudar-me com algumas das minhas e escolheu trabalhar este Juniperus.
Imediatamente soube que isso iria ser uma boa combinação.

O João esteve dois dias a trabalhar esta árvore. Concentrado, metódico (só esse malvado cigarro é que te distraia por vezes! Lol).
Limpou a casca,podou a folhagem velha,limpou os Jin e pintou-os com Liquido de Jin,aramou,e formou.
O resultado é visivelmente um trabalho feito com muita sensibilidade,visão, e paixão pela Arte.

João já sabes que tenho aqui mais algumas para serem trabalhadas!!!
Obrigado

sábado, 18 de Julho de 2009

Myrtus Communis













Uma Murta com um grande futuro,que trabalhei pela primeira vez em Setembro de 2008 no Studio Botanico.

Esta Murta pelas suas grandes qualidades, tinha várias possibilidades de desenho.
Foi optado por realçar o movimento do tronco com as suas musculadas veias de seiva e a parte de Shari mais interessante.

Assim o estilo escolhido foi um Han-Kengai (meia-cascata) raro de ver numa Murta desta qualidade e idade (estimada em 200 anos).
A primeira limpeza,trabalho na madeira morta,escolha e poda de ramos,e aramamento foram feitos em Setembro 2008.

Em Julho 2009 foi feito o segundo aramamento, poda de alguns ramos não necessários ao desenho da árvore,e definição dos primeiros contornos das massas foliares.
O topo não foi podado para engrossar o calibre do mesmo.
A imagem final ainda não mostra os contornos mais ou menos definidos da sua futura silhueta mas já se começa a vislumbrá-la.
Penso que no próximo ano a definição já terá avançado substancialmente.

domingo, 24 de Maio de 2009

Juniperus Chinensis Definição/Refinamento Maio 2009













Quando vi este Juniperus pela primeira vez tinha ele acabado de chegar do Japão junto com algumas centenas de outras árvores.Mesmo a alguns metros de distância e sem têr visto o Bonsai em detalhe instantaneamente a minha escolha foi feita.Só com a insistência do meu colega em continuar a inspeccionar o resto do material,eu acedi desinteressado.Demasiado impaciente para voltar para a árvore da minha eleição.
Agora depois de um período de adaptação aqui no viveiro a árvore está pronta para ser trabalhada.Limpeza e refinamento do Shari (só precisou de refinamento aqui e ali pois o trabalho feito no Japão foi de excelente qualidade) limpeza da casca,aplicar liquido para Jin,poda de muitos ramos que cresciam nos sitios errados,limpeza da folhagem e aramamento.No total estas tarefas levaram 3 dias a ser concluidas.
O mais demorado sendo o aramamento de toda a ramagem fina e a poda da folhagem para refinar todas as pequenas massas de verde.
Embora o vaso actual onde a árvore se encontra plantada seja de boa qualidade (um vaso redondo estilo primitivo feito á mão com uma bela textura da argila)a verdade é que na minha opinião é demasiado pequeno.Na próxima Primavera a árvore será envasada num novo vaso Tokoname feito á mão que realça a elegância deste espécimen.
È uma árvore muito feminina e graciosa com as veias de seiva bem defenidas.O movimento e aparência destas é um dos atractivos deste Bonsai.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Escola Jardim de Bonsai Maio 2009/Abril 2010

Os dois grupos da Escola Jardim de Bonsai iniciaram as suas actividades em Maio.

Quero agradecer a todos os participantes pelo empenho e entusiasmo mostrados nesta primeira lição e também pelo cuidado posto na procura do material utilizado.

Com um bom trabalho conjunto,uma fatia de bolo de chocolate,e muito esforço individual vamos continuar e aprender juntos na bela Arte do Bonsai!